Da crise energética à habitação. Montenegro pede "ambição e coragem" em Estrasburgo

Da crise energética à habitação. Montenegro pede "ambição e coragem" em Estrasburgo

Em contexto de negociação do próximo orçamento comunitário, para o período 2028-2034, em dia de greves em Portugal, o primeiro-ministro defendeu que a União Europeia deve pensar em novas formas de receita para ter orçamentos mais ambiciosos.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Luís Montenegro afirmou esta terça-feira que a União Europeia tem de ter “ambição e coragem”. Isto porque o próximo orçamento comunitário tem que financiar “as novas prioridades sem colocar em causa as políticas que continuam essenciais para a convergência e para a competitividade europeias. Porque não há competitividade europeia sem coesão, nem coesão europeia sem competitividade.” Durante o discurso, o primeiro-ministro português recuperou a frase que já tinha deixado aos jornalistas: “Portugal não encara o QFP (quadro financeiro plurianual) como um concurso de pedinchice”.
De resto, deixou um recado sobre o dinheiro com que Portugal contribui para o orçamento comunitário.

“A contribuição portuguesa para o orçamento da União é superior à de todos os frugais (com exceção da Áustria), se a analisarmos na proporção do PIB de cada um. A todos digo uma coisa simples: dar 10 de 100 é muito mais do que dar 50 de 1000”.
Jornal da Tarde - 6 de outubro de 2026

Quanto à crise no setor da energia, o primeiro-ministro sublinhou a importância de a União Europeia apresentar respostas coletivas, “sem excluir nada”. Montenegro insistiu numa ideia que já tinha defendido na ONU, “revisitar o mecanismo de formação do preço do petróleo no mercado internacional”.
No que diz respeito à Habitação, o líder do governo português considera que “será muito útil uma resposta europeia complementar, que respeite as competências nacionais e locais e que deve passar pela simplificação de procedimentos e regulações e mobilização de financiamento.”

Neste discurso em Estrasburgo, Montenegro apontou ainda a estratégia do país quanto à imigração. “Executámos uma reforma estrutural alterámos as leis dos estrangeiros, nacionalidade e retorno. As portas de Portugal não estão fechadas mas também não estão escancaradas. É esta linha de regulação e humanismo, que defendemos para a Europa. Que equilibra e garante coesão interna, necessidades económicas e proteção das nossas fronteiras.”

Sobre a imagem da União Europeia nos cidadãos, o primeiro-ministro português avisa que uma Europa "tecnocrata e retórica" é presa fácil para o "populismo e extremismo". “Se não formos capazes de resolver os problemas concretos das pessoas, abrimos espaço ao crescimento da demagogia, do populismo e do extremismo. Também por isso a nossa resposta não pode ser apenas tecnocrática e retórica. Tem de ser política e concreta.”
O discurso do primeiro-ministro surgiu no âmbito da série de debates “Isto é a Europa”, uma iniciativa criada pela presidente do Parlamento Europeu. 

Roberta Metsola recebeu Luís Montenegro e o chefe do Governo insistiu que apoia a recondução de António Costa como presidente do Conselho Europeu.
Precisamente o papel de António Costa à frente do Conselho Europeu mereceu o aplauso de Metsola.

A presidente do Parlamento Europeu manifestaria ainda a sua solidariedade para com as pessoas "afetadas pelas catástrofes naturais em Portugal".
Roberta Metsola dirigiu-se também a Luís Montenegro para deixar elogios a Portugal: "O seu país tem contribuído para uma Europa melhor, demonstra liderança e empenho. Aguardamos com expectativa a entrada de Portugal no Conselho de Segurança da ONU, no próximo ano, o que vai reforçar a voz do nosso continente no panorama global".
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